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Perimenopausa: os primeiros sinais nem sempre são fogachos

Quando pensamos em menopausa, uma das primeiras imagens que vêm à cabeça são os famosos fogachos: aquela sensação súbita e intensa de calor que pode aparecer durante o dia ou provocar suor durante a noite.

Mas existe uma fase anterior à menopausa que ainda é pouco reconhecida: a perimenopausa.

E um detalhe importante é que os primeiros sinais dessa transição nem sempre são ondas de calor.

Mudanças no ciclo menstrual, dificuldade para dormir, alterações de humor, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e mudanças na libido podem surgir durante essa fase — e muitas mulheres passam anos convivendo com essas alterações sem perceber que o organismo já iniciou a transição para a menopausa.

Afinal, o que é perimenopausa?

Perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa.

Durante essa fase, a produção hormonal pelos ovários começa a mudar, com oscilações importantes principalmente nos níveis de estrogênio e progesterona.

Ela pode durar vários anos e não acontece da mesma maneira para todas as mulheres. A menopausa propriamente dita só é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar.

Isso significa que uma mulher pode estar na perimenopausa e continuar menstruando.

E é justamente por isso que tantos sinais acabam sendo confundidos com estresse, rotina intensa, envelhecimento ou simplesmente uma fase ruim.

O primeiro sinal pode estar na menstruação

Uma das mudanças mais características da perimenopausa acontece justamente no ciclo menstrual.

A menstruação pode:

  • chegar mais cedo ou mais tarde;
  • durar mais ou menos tempo;
  • apresentar fluxo diferente;
  • ficar mais intensa ou mais leve;
  • começar a “pular” alguns meses.

A ACOG considera as alterações no padrão menstrual um sinal típico do início da perimenopausa.

Isso não significa, porém, que toda alteração menstrual depois dos 40 anos seja causada pela perimenopausa. Sangramentos muito intensos, prolongados, entre as menstruações ou após relações sexuais merecem avaliação médica para excluir outras causas.

O sono pode mudar antes mesmo dos fogachos

Outra queixa importante é começar a perceber que o sono já não é o mesmo.

Pode aparecer dificuldade para adormecer, despertares durante a madrugada, sono mais leve ou aquela sensação de acordar cansada mesmo depois de passar várias horas na cama.

E nem sempre isso acontece porque a mulher acordou com calor.

As próprias alterações hormonais da perimenopausa podem estar associadas a mudanças na qualidade do sono. Quando os fogachos e suores noturnos aparecem, eles podem agravar ainda mais o problema.

Esse ponto é especialmente importante porque dormir mal pode repercutir durante todo o dia, afetando disposição, memória, concentração e humor.

“Eu não estou me reconhecendo”: humor também pode mudar

Algumas mulheres percebem primeiro uma mudança emocional.

Maior irritabilidade, oscilações de humor e sintomas de ansiedade podem surgir ou se intensificar durante a transição menopausal. Mulheres que já apresentaram ansiedade ou depressão anteriormente também podem perceber esses sintomas novamente nessa fase.

E existe ainda uma relação importante entre esses sintomas.

Dormir mal pode piorar o humor.

Ansiedade pode dificultar o sono.

Fogachos podem provocar despertares.

E o cansaço acumulado pode afetar concentração e qualidade de vida.

Por isso, é importante enxergar a perimenopausa como uma transformação que envolve diferentes sistemas do organismo — e não apenas como o aparecimento de ondas de calor.

Outros sinais que podem aparecer

Além das mudanças menstruais, alterações no sono e sintomas emocionais, a transição menopausal pode estar associada a:

  • dificuldade de concentração;
  • sensação de “névoa mental”;
  • dores musculares e articulares;
  • mudanças na libido;
  • secura vaginal;
  • desconforto durante relações sexuais;
  • alterações urinárias;
  • mudanças na composição corporal.

A intensidade e a combinação desses sintomas variam muito entre as mulheres. Algumas praticamente não apresentam sintomas; outras têm manifestações capazes de afetar significativamente a rotina.

E onde entra o sistema endocanabinoide?

Existe outro sistema fisiológico que vem despertando interesse quando falamos sobre saúde da mulher: o sistema endocanabinoide.

Podemos imaginá-lo como uma espécie de maestro do organismo.

Ele participa da regulação de diferentes processos fisiológicos e ajuda o corpo a manter a homeostase — seu equilíbrio interno.

Sono, humor, resposta ao estresse e percepção da dor estão entre os processos nos quais a sinalização endocanabinoide está envolvida.

E é justamente por existir essa conexão com funções que também podem sofrer alterações durante a transição menopausal que pesquisadores começaram a investigar a relação entre canabinoides e sintomas da menopausa.

Cannabis medicinal e perimenopausa: o que sabemos?

Aqui é importante separar interesse científico de evidência estabelecida.

O CBD, THC e outros canabinoides vêm sendo estudados em diferentes contextos relacionados a sono, ansiedade, dor e qualidade de vida.

Como esses também estão entre os problemas relatados por algumas mulheres durante a perimenopausa e a menopausa, surgiu interesse em investigar se a cannabis medicinal poderia funcionar como uma abordagem complementar para determinados sintomas.

Isso não significa que CBD ou THC sejam tratamentos comprovados para a perimenopausa como um todo.

As evidências específicas nessa população ainda são limitadas, e são necessários mais estudos clínicos controlados para determinar benefícios, riscos, formulações e doses adequadas.

A cannabis medicinal também não substitui tratamentos estabelecidos, incluindo terapia hormonal quando indicada.

Cada mulher atravessa essa fase de uma maneira

Essa talvez seja uma das mensagens mais importantes sobre perimenopausa.

Não existe uma experiência única.

Para uma mulher, o primeiro sinal pode ser o ciclo menstrual.

Para outra, pode ser o sono.

Outra pode perceber irritabilidade ou ansiedade.

E outra pode realmente começar pelos fogachos.

Reconhecer essas mudanças permite procurar orientação mais cedo e discutir estratégias individualizadas para atravessar essa fase com mais qualidade de vida.

Menopausa é muito mais do que fogachos

A saúde da mulher durante a transição menopausal vem recebendo cada vez mais atenção da ciência — e isso está ampliando nossa compreensão sobre uma fase que durante muito tempo foi resumida a “ondas de calor”.

Sono, saúde emocional, sexualidade, cognição, saúde óssea, composição corporal e qualidade de vida também fazem parte dessa conversa.

E quanto mais informação existe, mais fácil fica reconhecer algo fundamental:

a menopausa não começa necessariamente com um fogacho.

Muitas vezes, o corpo já estava dando sinais muito antes.

Continue lendo

No blog da Luna, também explicamos o que a ciência está investigando sobre cannabis medicinal, sono, humor e qualidade de vida durante a menopausa.

Leia: Cannabis medicinal e menopausa — o que a ciência está investigando

Referências

National Institute on Aging (NIH). What Is Menopause? — informações sobre transição menopausal, sintomas, alterações menstruais e mudanças hormonais.

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). The Menopause Years — definição e sinais da perimenopausa.

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). My Periods Have Changed. Is Menopause Around the Corner? — alterações menstruais e outros sinais da perimenopausa.

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Sleep Health and Disorders — sono durante perimenopausa e menopausa.


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E é justamente por isso que tantos sinais acabam sendo confundidos com estresse, rotina intensa, envelhecimento ou simplesmente uma fase ruim.