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Ansiedade e trabalho: como o CBD vem sendo estudado para ajudar a regular o estresse

Prazos, reuniões, mensagens chegando o tempo todo, cobrança por resultados, dificuldade para se desconectar e a sensação de que a cabeça continua trabalhando mesmo depois do expediente.

O trabalho não é necessariamente a causa da ansiedade, mas um ambiente de pressão constante pode contribuir para sintomas como preocupação excessiva, tensão, dificuldade de concentração e alterações no sono.

É nesse contexto que o CBD (canabidiol) vem despertando interesse científico.

Mas como uma substância derivada da cannabis poderia interferir na resposta ao estresse e à ansiedade?

Quando o trabalho termina, mas o cérebro não

O estresse é uma resposta natural do organismo.

Diante de uma situação percebida como desafiadora, nosso corpo mobiliza diferentes sistemas para aumentar atenção e capacidade de resposta.

O problema aparece quando esse estado deixa de ser pontual.

Aquela reunião importante termina, mas a preocupação continua.

O expediente acaba, mas a mente continua revisando tarefas.

Chega a hora de dormir e o cérebro parece não conseguir “desligar”.

Quando esse padrão se torna persistente, pode afetar sono, concentração, humor e qualidade de vida.

E é justamente na regulação dessas respostas que encontramos uma conexão interessante com o sistema endocanabinoide.

Sistema endocanabinoide: o maestro do equilíbrio

Uma maneira simples de entender o sistema endocanabinoide é imaginá-lo como um maestro do organismo.

Ele não é responsável sozinho por produzir sono, controlar emoções ou eliminar a dor.

Sua função é ajudar diferentes sistemas a trabalharem em equilíbrio.

O sistema endocanabinoide participa da modulação de processos relacionados a:

  • resposta ao estresse;
  • humor;
  • sono;
  • percepção da dor;
  • memória;
  • apetite;
  • resposta imunológica.

Nosso próprio organismo produz substâncias chamadas endocanabinoides, entre elas a anandamida e o 2-AG.

Também possuímos receptores — principalmente CB1 e CB2 — e enzimas responsáveis por produzir e degradar essas moléculas.

É essa rede de comunicação que os pesquisadores chamam de sistema endocanabinoide.

E onde entra o CBD?

Aqui existe uma diferença importante.

O CBD não funciona simplesmente “ligando” os receptores CB1 e CB2.

Sua farmacologia é muito mais complexa.

Ele pode modular a sinalização endocanabinoide e também interagir com outros alvos moleculares, incluindo mecanismos relacionados ao sistema serotoninérgico, como o receptor 5-HT1A, uma das vias investigadas para explicar seus possíveis efeitos sobre ansiedade e resposta ao estresse.

Por isso, quando falamos em CBD e ansiedade, não estamos falando de uma substância que simplesmente “desliga a ansiedade”.

Estamos falando de uma molécula que vem sendo investigada pela capacidade de modular circuitos envolvidos na resposta emocional e ao estresse.

O que os estudos mostram sobre CBD e ansiedade?

Existem resultados interessantes, especialmente em situações de ansiedade aguda.

Um dos modelos mais conhecidos é o teste de fala em público, utilizado em pesquisas justamente por provocar uma resposta de ansiedade mensurável.

Em um estudo randomizado com 57 homens saudáveis, pesquisadores compararam placebo com diferentes doses de CBD antes de um teste simulado de fala em público.

A dose de 300 mg reduziu significativamente a ansiedade durante o teste, enquanto 150 mg e 600 mg não apresentaram o mesmo resultado.

Esse achado é especialmente interessante porque demonstra que mais CBD não necessariamente significa maior efeito.

Existe a possibilidade de uma curva de resposta à dose, reforçando a importância da individualização do tratamento.

Outro estudo envolvendo pacientes com transtorno de ansiedade social também encontrou redução da ansiedade durante um teste de fala em público após administração de CBD.

E ansiedade relacionada ao trabalho?

Aqui precisamos fazer uma distinção importante.

Ainda não temos evidências clínicas suficientes para afirmar que CBD seja um tratamento específico para “ansiedade no trabalho”.

O que temos são estudos sobre CBD, ansiedade e resposta a situações estressantes.

Uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados publicada em 2024 encontrou resultados bastante variados entre os estudos.

Alguns demonstraram efeitos positivos, enquanto outros não encontraram diferenças significativas.

Isso acontece porque as pesquisas utilizaram populações, doses, duração de tratamento e tipos de ansiedade muito diferentes.

Outra meta-análise publicada em 2024 encontrou um efeito significativo do CBD sobre ansiedade, mas os próprios pesquisadores ressaltaram que o número total de participantes ainda era pequeno e que são necessários estudos maiores.

Portanto, existe potencial.

Mas ainda existe muito a descobrir.

CBD não é produtividade em um frasco

Esse ponto é especialmente importante quando relacionamos cannabis medicinal ao ambiente profissional.

O objetivo do CBD não é fazer uma pessoa:

  • trabalhar mais;
  • produzir mais;
  • suportar jornadas excessivas;
  • eliminar a necessidade de descanso;
  • ignorar sinais de esgotamento.

Se o ambiente de trabalho está causando sofrimento persistente, simplesmente tentar reduzir os sintomas sem investigar a causa não resolve o problema.

Sono adequado, atividade física, pausas, organização da rotina, psicoterapia quando indicada e limites entre vida profissional e pessoal continuam sendo fundamentais.

A cannabis medicinal pode ser considerada dentro de uma estratégia terapêutica mais ampla — não como uma maneira de tornar alguém capaz de suportar indefinidamente uma rotina insustentável.

CBD e THC não são a mesma coisa quando falamos de ansiedade

Outro ponto fundamental é não usar “cannabis” como se todos os seus componentes tivessem os mesmos efeitos.

CBD e THC possuem perfis farmacológicos bastante diferentes.

Enquanto o CBD vem sendo investigado por possíveis propriedades ansiolíticas, estudos mostram que o THC pode aumentar a ansiedade, especialmente dependendo da dose e da sensibilidade individual.

Uma revisão da literatura encontrou justamente essa diferença: os estudos clínicos em humanos demonstram que o THC pode produzir respostas ansiogênicas, particularmente em doses maiores.

Por isso, formulação, proporção entre canabinoides e dose importam muito.

Por que encontrar a dose certa é tão importante?

A pesquisa com fala em público traz uma lição interessante.

300 mg apresentou resultado.

150 mg não.

600 mg também não.

Isso não significa que “300 mg é a dose para ansiedade”.

Significa justamente o contrário: a relação entre CBD e resposta clínica não é simplesmente linear.

A dose utilizada em estudos experimentais também não deve ser transformada automaticamente em recomendação de uso.

Na prática clínica, fatores como condição tratada, formulação, outros medicamentos, metabolismo e resposta individual precisam ser considerados.

É por isso que cannabis medicinal exige acompanhamento profissional e ajuste individualizado.

Ansiedade merece ser tratada — não normalizada

Viver permanentemente preocupado, dormir pensando no trabalho ou sentir que nunca consegue realmente descansar não deveria ser considerado apenas “parte da vida adulta”.

A ciência vem ampliando nossa compreensão sobre ansiedade, estresse e sobre os sistemas responsáveis por regular essas respostas.

O CBD é uma das moléculas que fazem parte dessa investigação.

Os resultados são promissores, mas ainda não definitivos.

E talvez essa seja justamente a conversa mais importante: cannabis medicinal não precisa ser apresentada como uma solução milagrosa.

Ela pode ser discutida pelo que realmente é — uma ferramenta terapêutica em investigação, com mecanismos interessantes, evidências crescentes e necessidade de uso individualizado e responsável.

Referências científicas:

Linares IM et al. Cannabidiol presents an inverted U-shaped dose-response curve in a simulated public speaking test. Brazilian Journal of Psychiatry.
Estudo randomizado que comparou 150 mg, 300 mg e 600 mg de CBD e encontrou redução da ansiedade com 300 mg durante o teste de fala em público.

Han K et al. The Impact of Cannabidiol Treatment on Anxiety Disorders: A Systematic Review of Randomized Controlled Clinical Trials. Life. 2024.
Revisão de 11 ensaios clínicos randomizados que encontrou resultados heterogêneos e destacou a necessidade de pesquisas mais robustas.

Therapeutic potential of cannabidiol (CBD) in anxiety disorders: A systematic review and meta-analysis. 2024.
Meta-análise de oito estudos e 316 participantes que encontrou efeito significativo sobre ansiedade, mas ressaltou o tamanho limitado da amostra disponível.

Sharpe L et al. Cannabis, a cause for anxiety? A critical appraisal of the anxiogenic and anxiolytic properties. Journal of Translational Medicine. 2020.
Revisão importante para compreender as diferenças entre CBD e THC em relação à ansiedade.

Bergamaschi MM et al. Cannabidiol reduces the anxiety induced by simulated public speaking in treatment-naïve social phobia patients. Neuropsychopharmacology. 2011.
Estudo clínico em pacientes com transtorno de ansiedade social submetidos a uma situação experimental de estresse.

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Ela pode durar vários anos e não acontece da mesma maneira para todas as mulheres. A menopausa propriamente dita só é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruar.

Isso significa que uma mulher pode estar na perimenopausa e continuar menstruando.

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