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Cannabis medicinal no mundo animal: o que a ciência já mostra sobre cães, gatos e cavalos

A cannabis medicinal tem ganhado espaço na medicina humana, mas o interesse pelo seu uso no mundo animal também vem crescendo. Cães, gatos e cavalos têm sido foco de estudos que investigam principalmente segurança, absorção e possíveis aplicações clínicas dos canabinoides, especialmente o CBD.

Esse avanço acompanha uma mudança importante no mercado veterinário: tutores e profissionais buscam alternativas complementares para qualidade de vida, manejo de dor, inflamação, epilepsia e condições crônicas. Mas é essencial reforçar: o uso deve sempre ser orientado por um médico-veterinário habilitado.

Cães: a área com mais estudos disponíveis

Entre os animais, os cães concentram a maior parte das pesquisas clínicas com CBD.

Um estudo publicado na Frontiers in Veterinary Science avaliou cães com osteoartrite e sugeriu melhora em conforto e atividade com o uso de CBD, sem efeitos adversos graves relatados no período analisado.

Outro estudo, publicado no Journal of the American Veterinary Medical Association, investigou cães com epilepsia idiopática e encontrou redução significativa na frequência de crises no grupo que recebeu CBD em comparação ao placebo.

Apesar desses achados promissores, revisões mais recentes destacam que a evidência ainda precisa de estudos maiores, de longo prazo e com protocolos mais padronizados. Uma revisão de 2023 concluiu que o CBD parece seguro no curto prazo para cães com osteoartrite, mas que a certeza sobre eficácia clínica ainda é limitada.

Gatos: um campo em crescimento, mas ainda inicial

Nos gatos, os estudos ainda são mais escassos. A maior parte das pesquisas disponíveis avalia segurança, tolerabilidade e farmacocinética — ou seja, como o organismo do animal absorve e metaboliza os canabinoides.

Um estudo com cães e gatos saudáveis mostrou que um suplemento oral rico em CBD administrado a cada 12 horas não causou alterações relevantes em hemograma ou bioquímica no período analisado.

Pesquisas mais recentes também vêm investigando diferentes formulações e proporções de CBD e THC em gatos, justamente para entender melhor absorção, segurança e possíveis aplicações futuras.

Isso mostra um ponto importante: o mercado felino existe, mas ainda exige mais cautela científica e responsabilidade técnica.

Cavalos: interesse crescente em dor, inflamação e performance

Em equinos, o uso de canabinoides também vem sendo estudado, especialmente por conta de dor crônica, inflamação, bem-estar e controle antidoping em esportes equestres.

Um estudo de farmacocinética em cavalos avaliou a administração oral de CBD e buscou entender como a substância permanece no organismo, informação essencial para segurança clínica e controle em animais atletas.

Outro estudo avaliou doses orais de CBD em cavalos idosos e relatou ausência de efeitos adversos relevantes após administração oral ou intravenosa, contribuindo para a construção de dados sobre segurança nessa espécie.

Ainda assim, assim como em cães e gatos, a pesquisa em cavalos está em construção. O potencial existe, mas precisa caminhar junto com evidência, regulação e acompanhamento veterinário.

O que esse movimento representa para o mercado

O avanço da cannabis medicinal veterinária mostra que o setor está se expandindo para além da medicina humana. Odontologia, veterinária e outras especialidades começam a integrar o debate, ampliando as possibilidades de pesquisa, desenvolvimento de produtos e educação profissional.

Para a Luna Organics, esse movimento reforça uma visão clara: o futuro da cannabis medicinal depende de ciência, responsabilidade e informação qualificada.

O crescimento do uso em cães, gatos e cavalos não deve ser tratado como tendência passageira, mas como parte de um mercado em amadurecimento — onde inovação precisa caminhar junto com segurança, qualidade e orientação profissional.

A cannabis medicinal no mundo animal ainda tem muitos caminhos a serem estudados. Mas uma coisa já está clara: a medicina veterinária entrou de vez nessa conversa.

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